
Luciana coleta autorização de Marcos Omena/Dexter
Estreia no próximo dia 27 um dos melhores filmes brasileiros do ano. Tem amigos que se reencontram na prisão, tem amor entre classes sociais distintas, tem separações, tem rap, sucesso e celebridades. Tem o céu e o inferno correndo nas veias de um incrível documentário.
Entre a Luz e a Sombra é produto da competência e da perseverança de uma jovem realizadora que aprendeu (com Jon Alpert) a filmar a realidade sozinha. Fazendo ela mesma imagem e áudio, a mineira Luciana Burlamaqui começou a gravar, em 2000, os encontros dos rappers presidiários Dexter e Afro X e da atriz Sophia Bisilliat com jovens da Febem em São Paulo. Dexter e Afro X, amigos de infância na periferia de São Bernardo do Campo, formavam então o bem-sucedido grupo 509-E (número da cela que o destino os fez dividir no Carandiru). Dexter tinha um romance com Sophia, que desde os anos 1980 realizava trabalhos de humanização da vida carcerária através da arte.
Luciana, já uma experiente repórter de TV, mas insatisfeita com a prática de documentar situações sem aprofundamento, viu ali os ingredientes de um bom doc de processo, desses que capturam o desenvolvimento de um assunto no tempo. Nesses casos, é impossível definir se é o cineasta que se apega ao tema e aos personagens, ou se são estes que se impõem como algo a acompanhar. Não importa. Luciana seguiu gravando o cotidiano dos três ao longo de sete meses. Depois, fez atualizações pontuais durante sete anos. O que ela nos entrega agora é um espantoso testemunho da crise social brasileira, junto com uma complexa reflexão sobre a consciência da classe média diante do mundo do crime.
Voltarei a falar de Entre a Luz e a Sombra aqui no blog. Por enquanto, deixo apenas um alerta para a chegada desse belo trabalho, que já ganhou prêmios no exterior e está fazendo pré-estreias em comunidades e universidades. Ele engole com sua fome de realidade todas as recentes ficções sobre a violência urbana brasileira. Não tem cenas de ação nem estereótipos de roteiristas espertos, mas um tenso e surpreendente retrato de vidas que se constroem, em tempo real, diante dos nossos olhos. Vocês não perdem por esperar. Vejam o trailer:


Abro espaço para o release do programa Jurandyr Noronha – Tesouros Quase Perdidos, que dirigi para a série Retratos Brasileiros e estreia hoje, às 18 horas, no Canal Brasil. A quem assistir, repito o que disse em e-mail aos amigos: apreciem a grandeza do trabalho do Jurandyr e desculpem as insuficiências do meu.

Na manhã de hoje (terça), embarco para o Norte. É minha primeira viagem desde que operei o joelho. Ainda não estou curado, vivo à base de fisioterapia, mas tenho que tocar a carroça pra frente. Toco pra Manaus, a convite da minha “irmã” pesquisadora Selda Vale Costa. Vou cumprir uma maratona de atividades na 


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Estão desfilando no CCBB-Rio os documentários da